Rosane Fernandes
Dirigentes da UFF e do Sintuff reunidos no gabinete do reitor Roberto Salles
Coordenadores do Sintuff se reúnem com reitor e dirigentes da UFF
8/5/2012
O reitor Roberto Salles, diversos pró-reitores e membros da administração da UFF receberam, no dia 7, os coordenadores do colegiado dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff) para uma conversa, como é de praxe, antes de paralisações e greves.
Com uma extensa pauta de reivindicações, Lígia Regina Antunes, coordenadora-geral do Sintuff, e Luiz Carlos de Andrade Vieira, coordenador de Volta Redonda, apresentaram questões que iam desde o adicional de insalubridade, ponto eletrônico, avaliação de desempenho, bandejão do Huap até as demandas do interior, que foram sendo respondidas pontualmente pelos respectivos responsáveis.
Quanto à reabertura do restaurante do Huap, a coordenadora de Gestão de Moradia e Restaurante Universitário da Proaes, Angela Cristina de Almeida, afirmou que ela ocorrerá no dia 4 de junho, servindo 350 refeições por dia. Angela ainda esclareceu aos sindicalistas que a cozinha do hospital é apenas para a dieta dos pacientes e que as refeições de todos os bandejões são produzidas no restaurante do Gragoatá, que faz hoje em torno de 6 mil por dia. Ao pedido de que o restaurante do Huap abrisse nos finais de semana, Ângela lembrou que o restaurante universitário é para o estudante e o estudante é que tem de ser beneficiado, pois os servidores ganham vale-refeição, embora nunca tenha havido essa restrição por parte da universidade.
Uma das demandas mais importantes dos campi do interior dizem respeito à grande concentração de serviços em Niterói, como protocolo, perícia médica, entre outros, o que resulta em viagens constantes para protocolar pedidos e memorandos no prédio da Reitoria. Segundo Luiz Carlos Vieira, coordenador do Sintuff para Volta Redonda, a solução seria os setores da área de recursos humanos aceitarem documentos escaneados, o que foi considerado como uma ótima proposta pelo reitor. “Sou a favor de acabar com os papéis, mas antes a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) tem que criar um sistema para que não se percam documentos, e eu sou um incentivador da digitalização”. Toda boa ideia é bem aceita, enfatizou o reitor, afirmando concordar em que existe uma falha intensa de comunicação em alguns setores, “até mesmo aqui em Niterói, mas queremos que todos participem e o interior vai ter um atendimento diferenciado”.
Este ano teve início a prática das pró-reitorias itinerantes e o primeiro lugar a ser visitado foi Volta Redonda, lembrou ele, sendo que, na semana passada, a visita foi a Campos dos Goytacazes. Essas visitas, afirmou a pró-reitora de Gestão de Pessoas, Jovina de Barros Bruno, estão sendo muito interessantes, “pois aproximam as equipes e avaliam a especificidade de cada campus ou de cada área, entendendo a realidade local e trazendo suas demandas”.
Quanto às reivindicações dos sindicalistas sobre as turmas de graduação e pós-graduação destinadas a servidores, o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Antonio Claudio da Nóbrega, afirmou que há uma decisão do Conselho Universitário determinando que 10% dos mestrados profissionais e das especializações sejam reservadas aos servidores da UFF, desde que passem pela seleção.
Quanto à graduação direcionada para funcionário, o reitor explicou que isso teria que ser aprovado pelos órgãos de controle, pois, na prática, seria uma reserva de vagas. O pró-reitor de Graduação, Renato Crespo, revelou que há dois anos trabalha nisso, mas tudo precisa ser feito em consonância com a Procuradoria Geral junto à UFF (Proger) e estar adequado às exigências do MEC. A ideia é formar turmas já no segundo semestre para um curso de tecnólogo em gestão pública, de dois anos e meio, à noite.
Assuntos mais polêmicos: ponto eletrônico e avaliação de desempenho
A coordenadora-geral do Sintuff queria saber qual o objetivo da avaliação de desempenho e o porquê de um tratamento diferenciado para o estágio probatório. A chefe da Divisão de Gestão e Desempenho, Leacyr de Oliveira Souto, esclareceu que, desde o plano de carreiras, vem trabalhando com o programa de gestão e desempenho, que já teve uma parte implantada, mas que está sendo incorporado com outros indicadores, como o mapeamento de competências, entre outros, e que foram estabelecidas duas etapas: uma para o estágio probatório e outra para os funcionários estáveis.
Seria mais simples soltar um documento com as normas, mas estão sendo feitas várias reuniões, disse ela, porque o objetivo é que a avaliação de desempenho seja utilizada como uma ferramenta de gestão.
Nesse novo conceito de avaliação, foi introduzido um plano de trabalho, que deverá ser o carro-chefe dessa mudança conceitual. Para elaborar o plano, chefe e servidor vão pactuar o que fazer, como fazer, com que qualidade, prazos, padrão ético, além das condições estruturais de trabalho.
Outra questão polêmica foi o ponto eletrônico, discutido na parte final da reunião, pois os sindicalistas não aceitam esse recurso para melhorar a segurança e enfatizam que o hospital não pode ser tratado de maneira diferenciada do restante da universidade.
O reitor Roberto Salles argumentou que, no mundo moderno, todos buscam trabalhar menos e com mais qualidade, “mas temos que fazer com que as pessoas cumpram a sua carga horária”.
Quanto à questão da segurança no entorno do Huap, o reitor afirmou já ter solicitado ao comandante do batalhão que seja colocada uma viatura em frente ao hospital e que as carteirinhas, tão logo estejam prontas, passarão a ser utilizadas, para evitar o uso de dinheiro nos bandejões e para controlar os acessos a bibliotecas, laboratórios e outras áreas restritas. Para isso, disse ele, “não vamos esperar nada, quando a inteligência estiver pronta, vamos instalar”.