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UFF instala o primeiro medidor de chuvas de Niterói
11/1/2012

Dando continuidade ao Plano de Redução de Riscos de Inundação em Niterói, o laboratório Hidrouff adquiriu um medidor de chuvas, ou pluviômetro, que foi instalado, em dezembro, no telhado da Escola de Engenharia, transmitindo informações, de 15 em 15 minutos, sobre a chuva que já caiu. Os dados coletados até agora já podem ser consultados pela população em www.hidrouff.uff.br.

O novo medidor, totalmente automatizado, servirá para avaliação do impacto das chuvas com os seus riscos eventuais, tanto de enchentes quanto de instabilidade de encostas, com cobertura nos bairros do Ingá, São Domingos, Icaraí e Vital Brazil.

No caso de uma chuva uniforme, a medição poderá valer para uma área maior da cidade, mas uma das características das tempestades de verão é serem bem delimitadas, atingindo fortemente áreas pequenas.

Por essa razão, um medidor só não resolve a situação de Niterói, que precisaria de uns 20, afirma Elson Antonio do Nascimento, coordenador do laboratório, que pertence ao departamento de engenharia civil da UFF.

Do ponto de vista da universidade e do desenvolvimento de estudos e pesquisas, este primeiro medidor será de grande importância, pois na sua região de cobertura estão situados os morros do Estado, do Cavalão, do Palácio e a região do Museu de Arte Contemporânea, inclusive para avaliação das obras, pois deslizamentos não ocorrem apenas em bairros pobres.

Pelo novo medidor já se sabe que no mês de dezembro choveu nesses bairros 60 mm, no acumulado, o que já é um valor elevado, diz Nascimento, mas acima de 40mm num único dia, já é motivo de preocupação, apesar de o risco variar de acordo com as características do local, se é plano e com boa drenagem ou íngreme e com muita ocupação.

Este é um trabalho que não se faz só num verão, afirma Elson Nascimento, mas a medição constante da chuva e dos seus impactos, favorece a redução de custos que, na emergência atingem valores muito altos, mas que fora disso, podem ser feitos a preços mais reduzidos.

Niterói já teve dois medidores, muito antigos, instalados um no campus do Gragoatá e outro no Horto, mas que estavam desativados ou desabilitados pelo Inmetro.

O gargalo não é o custo, mas a sua complexidade

Só a medição de chuvas não basta, afirma o coordenador do laboratório. Ele é um item de todo o processo, que deve incluir a defesa civil e diversos órgãos da prefeitura, que precisam estar preparados para tomar as decisões, e a população, que deve estar orientada. Isso requer planejamento e não é uma tarefa simples. O gargalo, nessas situações, diz Elson Nascimento, não é o custo, mas a sua complexidade, que significa integrar todos os órgãos afins do município, da comunidade, da iniciativa privada, dos institutos de pesquisa.

Integrar informações, por exemplo, para saber se 40 milímetros de chuva numa determinada região, muito íngreme e com muita ocupação, já significa riscos. É cruzar informações com as previsões de chuva, quando dizem que vai chover durante três dias numa área e se, no primeiro dia já caiu um volume muito grande, se é hora de ordenar a desocupação antes que ocorra uma tragédia ou uma situação de perigo para a população.

É o mesmo sistema de alerta para vulcão, avalanche de neve, terremoto, furacão, tornado, entre outros. “Todos esses fenômenos podem ocorrer em qualquer lugar, mas a cidade estando preparada, com a população informada, consegue se defender”, garante Nascimento.

Apesar de custo não ser o ponto mais crítico num sistema desses, para a universidade, diz o professor, pagar R$ 10 mil num medidor é um sacrifício, conseguido graças a verbas de projetos do laboratório. Por essa razão, diz ele, a proposta é que a iniciativa privada participe do projeto. Muitas empresas que estão em locais estratégicos poderiam instalar medidores em seus edifícios, enviando informações para uma central, que poderia ser num escritório da prefeitura, para tratar especificamente do tratamento dos dados e da coordenação do plano.
UFF Notícias - Superintendência de Comunicação Social (SCS)