Fotos: Gilson Carvalho
Jorge Fornet fala sobre literatura cubana
A jornalista e crítica teatral Maité Hernández-Lorenzo
Vinte anos de literatura cubana na UFF: data é lembrada com palestras de intelectuais
9/12/2009
Um panorama da literatura cubana dos últimos 20 anos foi traçado pelo escritor Jorge Fornet no dia 7 de dezembro, no Instituto de Letras da UFF. Poeta e ensaísta, vencedor do Prêmio Alejo Carpentier de Ensaio em 2006, Fornet é coordenador do Prêmio Literário Casa das Américas, instituição na qual é também diretor do Centro de Pesquisas Literárias.
Ao lado da jornalista e crítica teatral Maité Hernández-Lorenzo, diretora de Comunicação e Imagem da Casa das Américas, e falando para uma plateia composta de professores e alunos de graduação e pós-graduação, Fornet lembrou que, em 2009, comemora-se um evento que se tornou verdadeiro divisor de águas na vida política, econômica e cultural de Cuba: a queda do muro de Berlim, com o consequente fim da União Soviética e do Bloco Socialista, formado pelos países do Leste Europeu.
Segundo Fornet, as mudanças repentinas fizeram surgir uma nova sociedade cubana, que já não tinha como modelo o socialismo. O país, que já sofria com o embargo americano, teve seu comércio exterior paralisado, já que pelo menos 85% de suas relações econômicas eram realizados com o Bloco Socialista. Um novo país teve de ser inventado, e os escritores que surgiram nesse momento formam o que ele chama de “Geração do Desencanto.”
O lado benéfico dessa grave crise institucional, de acordo com o poeta, é que novos temas, antes vistos como tabu, emergiram. “Questões como homossexualismo, drogas, imigração, prostituição, passaram a ser abordadas pelos autores, e abriu-se espaço para as escritoras, que antes pouco apareciam”, explicou.
Uma das características dessa nova literatura, principalmente no romance e no conto, é a fragmentação, diz ele. Além disso, as grandes novelas épicas deram lugar a pequenas histórias contadas por personagens comuns, como as criadas por Francisco López Sacha e Leonardo Padura.
Nos anos 1990, surge uma nova geração de escritores, nascidos nos anos 1960 e 70, e que praticamente cresceram no novo sistema. A temática da Revolução Socialista já não os interessa, e eles passam a abordar a nova sociedade cubana de uma forma realista e bastante crua. Destacam-se nomes como Jorge Angel Pérez e Pedro Juan Gutiérrez, dentre outros.
Nos anos 2000, a internet abriu a possibilidade de múltiplas vozes se manifestarem. Além de outras, destaca-se a de Yoani Sánchez, responsável pelo célebre “blog” Generación Y e autora do livro “De Cuba, com carinho”. Para Maité Hernández-Lorenzo, Sanchéz é uma dentre muitos jovens que usam os novos meios para criar. “É Cuba falando de si para si mesma, e para o mundo”, afirmou.