Fotos: Maria Léa Aguiar
Alicia Bercovitch é a responsável pelo tema deficiência, no censo IBGE
Geraldo Nogueira, da ONG Viabiliza-Rio, falou sobre inserção de deficientes no mercado de trabalho: discriminação, desafios e conquistas
Faculdade de Economia promove workshop
para discutir questão da deficiência
6/11/2009
A partir da maior abertura da universidade para receber estudantes com deficiência, o diretor da Faculdade de Economia da UFF, Alberto Di Sabbato, organizou um workshop para discutir e levantar ideias sobre como introduzir no currículo essa questão.
Promovido pelo Centro de Estudos sobre Desigualdade (Cede), da Faculdade de Economia, em parceria com o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão Sensibiliza (Nais) da UFF, o evento discutiu, de maneira ampla, a situação das pessoas com deficiência no Brasil.
Alicia Bercovich, do IBGE, lembrou que as fontes de informação existentes ainda têm limitações e que há esforço constante de aprimoramento no mundo todo, para mapear e identificar melhor o número de deficientes, o tipo de deficiência e o grau de severidade. Além disso, diz ela, todos querem a informação em nível municipal, a fim de que se possa traçar políticas públicas mais efetivas, o que só é possível nos censos, que são realizados de dez em dez anos. Há uma grande demanda por estimativas intercensos, mas isso ainda não é possível.
Para o censo de 2010, além das perguntas já existentes e que foram aprimoradas, foi introduzida uma nova pergunta, para investigar o grau de dependência que o deficiente tem para cuidar de si mesmo em atividades como comer, vestir-se e tomar banho.
Consultor para a área de empregabilidade da Viabiliza–Rio, Geraldo Nogueira afirma que, infelizmente, as leis de cotas ainda são necessárias para promover a inclusão dos deficientes no mercado de trabalho. E as leis estabelecem multas severas para o caso de não-cumprimento, pois cada vaga não-preenchida ocasiona multas de R$ 3 mil a R$ 4 mil.
Segundo o consultor, a universidade, que está começando agora a lidar de maneira mais sistemática e institucional com os estudantes deficientes, precisa apenas dar condições de igualdade para que esse aluno tenha o mesmo preparo que os colegas.
Todo o workshop foi voltado para a preocupação de como incluir o tema deficiência no currículo de economia, seja na graduação ou na pós-graduação. Segundo a coordenadora do Nais, Luiza Costa, o importante é que o tema não seja tratado em uma disciplina optativa, à parte, mas que permeie a grade e que faça parte da própria formação acadêmica do futuro profissional.