Historiador apresenta
nova visão da abertura dos portos e lança livro em congresso na UFF

14/3/2008

O historiador José Jobson de Andrade Arruda, da Universidade de São Paulo, arrebatou a platéia no segundo dia do Congresso Internacional 1808 – A Corte no Brasil, ao apresentar a palestra "Crise do Antigo Sistema Colonial". Proferida em tom inflamado, a conferência abordou dados e fatos que comprovariam terem sido os portos brasileiros abertos, na verdade, em 1800, pela ação violenta do contrabando inglês, tendo o ato de 1808 apenas um caráter formal.

Segundo o historiador, documentos revelados recentemente dão conta de que o secretário de Estado britânico, George Canning, projetara, inclusive, a ocupação do Rio de Janeiro e, alternativamente, a de Salvador, no ano de 1806, numa expedição militar que seria realizada por dez mil soldados, numa época, disse ele, que, sem dúvida, Napoleão não estava às portas de Portugal.

Tudo isso para inverter a balança comercial inglesa, que se tornara favorável aos portugueses, tendo como razão principal do êxito português os produtos brasileiros, notadamente o algodão, matéria-prima das indústrias têxteis inglesas, sobretudo depois de terem perdido os EUA. Por essa época, o algodão representa metade das exportações que o Brasil faz para a Inglaterra, o que significa que a colônia não era fornecedora de produtos tropicais, mas de matérias-primas. "Os portugueses, no final do século XVIII, tinham antecipado o colonialismo do século XIX, só que os ingleses assumiram isso", explicou o historiador, que rende ainda tributo à racionalidade de D. João VI, afirmando ter sido muito acertada sua posição de adiar até o momento certo a vinda para o Brasil.

José Jobson Arruda apresentou uma das palestras mais concorridas e, ao final, lançou seu livro "A abertura dos portos brasileiros: 1800–1808 – Uma colônia entre dois impérios". Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História da universidade, o congresso será apresentado até 14 de março no Cine Arte UFF, Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói.

 




Regina Schneiderman

Palestrante José Jobson Arruda

Público no Cine Arte UFF: palestra arrebatou a platéia